Estou eu aqui distante
Nesta cidade perdida
Da minha terra querida
Do Sertão que eu sou amante
Daquele sol escaldante
Que castiga e racha o chão
Lá deixei meu coração
Quando menino eu parti
Pois foi lá onde eu nasci
Sou de lá, sou do Sertão.

Um carro feito de lata
Que eu fiz quando criança
Dele tenho uma lembrança
E também da minha gata
Que caçava lá na mata
A sua própria ração
Que saudades do meu cão
Que nos trazia alimento
Caçando nosso sustento
Nas brenhas lá do Sertão.

Treze de junho é o dia
Do santo casamenteiro
Santo Antônio nesse dia
É intimado o tempo inteiro
Pelas moças que desejam
Descolar um bom parceiro.

Vinte e quatro é a vez
De perturbarem São João
Soltando na casa dele
Um estrondoso foguetão
Já no dia vinte e nove
São Pedro é quem vê rojão.

Quem se apressa come cru.
Diziam os antepassados
É por isso que os baianos
Vivem muito sossegados
E o gato sem ter vexame
Nasce de olhos fechados.

A esperteza vale tudo
Muita gente nela aposta
A pessoa que é vivida
Do ditado abaixo gosta:
Lagoa que tem piranha
Jacaré nada de costa.